16 de Junho: a véspera da travessia

Rua de Dar Es Salaam


O dia 16 de Junho foi passado em Dar Es Salaam. De manhã fizemos uma visita de cortesia ao responsável máximo do SMD (Survey and Mapping Department) da Tanzânia, John Msemwa. Aí encontrámos também o professor Peter Morgan, um especialista australiano que está a definir o novo referencial geográfico para o país, que é uma primeira fase do projecto para a execução do cadastro da Tanzânia, com o patrocínio do Banco Mundial.

Almoço com vista para o Índico

O Peter acompanhou-nos no almoço que fizemos com vista para o Índico e na reunião que tivemos à tarde com professores da universidade local para acertar o últimos detalhes sobre a nossa expedição anterior, ao monte Kilimanjaro.

Reunião: Saburi, Rui e Peter.

17 de Junho: tiro de partida

Margens do Índico

Os nossos colegas quenianos apareceram com algum atraso provocado pelo tráfego intenso de Dar Es Salaam. Após conseguirmos encontrar um local de céu aberto, no sentido de permitir uma boa incicialização dos receptores, a primeira equipa partiu, rumo a Iringa. Devido ao trânsito, os primeiros quilómetros foram feitos a um ritmo de pára-arranca bastante enervante. A segunda equipa, que partiu uma hora depois, sofreu mesmo uma tentativa frustrada de roubo da máquina fotográfica com GPS incorporado que tinha sido adquirida de propósito para esta missão. Felizmente o André teve pulso firme e não deixou que lha arrancassem das mãos. Dissemos assim adeus ao Índico e rumámos para oeste.

James despedindo-se do Índico

Fotografia do grupo antes da partida


O português mais famoso por aquelas bandas, tirando nós, claro.

17 de Junho: a caminho de Iringa

Entrada no parque natural Mikumi

Pouco depois de sair dos limites da cidade, entramos no parque natural Mikumi, onde conseguimos avistar alguma vida selvagem: macacos, girafas, zebras e até alguns elefantes.

Grupo de macacos a atravessar a estrada e elefante ao longe

A segunda equipa, que vinha mais atrás, conseguiu mesmo observar ao perto uma pequena manada de elefantes a atravessar a estrada, como se pode ver no vídeo que se segue.


Mais tarde atravessamos uma zona mais montanhosa e coberta de árvores. Apesar de complicar o nosso trabalho, devido a degradar a qualidade da recepção dos sinais dos satélites, não deixamos de admirar e imensa beleza do vale do rio Great Ruaha, coberto por uma imensa floresta de embondeiros.

Floresta de embondeiros
À sombra de um embondeiro
Ponte sobre o rio Great Ruaha


No final do dia, a estrada começa a ficar bastante complicada devido às obras que aí decorrem. O pó e os buracos tornam-se uma constante mas o pior é mesmo o atraso na nossa marcha, dado que temos de parar inúmeras vezes para deixar passar os veículos que vêm em sentido contrário. A chegada a Iringa faz-se já noite dentro. O clima quente que tínhamos sentido na costa do Índico torna-se aqui bastante frio. Depois de alguma espera, recebemos a notícia que o segundo carro partiu a barra de direcção e teve um pequeno despiste. Foi a única vez que o sistema magnético para prender a antena cedeu ligeiramente. Mesmo assim, conseguem-se deslocar lentamente, a cerca de 20 km/h e lá chegam a Iringa, já bastante tarde. Mais uma vez, a ajuda do John foi preciosa, já que conseguiu reservar lugar num centro religioso, onde poderemos pernoitar. O quarto que me calhou em sorte tinha um duche com um chuveiro assaz original, dado que estava apontado à janela, por onde saía quase toda a água. Possivelmente tinham alguma horta lá fora. Tive de me empoleirar num banco para conseguir apanhar alguma água. Entretanto, os colegas quenianos conseguiram desenvolver contactos para reparar o jipe na manhã seguinte.


Obras na estrada

18 de Junho: Iringa-Mbeya, Tanzânia

Estrada para Mbeya

Depois das emoções e dos sustos do dia anterior, este dia foi bastante calmo. A estrada era boa e os acontecimentos foram relativamente banais.

As bermas das estradas quase sempre muito concorridas

Uma loja com pernas

O mais assinalável nesta zona é o fabrico de tijolos por métodos artesanais.

A vida dura começa bem cedo por aqui
Depois de chegar a Mbeya, ainda tivemos um pequeno percalço. Na tentativa de parar fora da cidade, já no caminho para a fronteira com a Zâmbia, fomos multados por excesso de velocidade.

A senhora polícia que nos multou, vista ao longe, pelo retrovisor

No final do dia, lá conseguimos encontrar um restaurante aberto. Como se pode ver, o frango é um prato muito popular por estas zonas. Neste caso, havia mais de 20 pratos com frango.

19 de Junho: pela Zâmbia adentro

Encontrámos com frequência animais a atravessar a estrada.
Apenas trucidámos uma galinha suicida que correu para a frente do carro.

Saímos de Mbeya cedo, com as duas equipas juntas até à fronteira com a Zâmbia, em Tunduma. Foi a fronteira mais movimentada que encontrámos, com pessoas a oferecer os mais diversos bens e serviços, desde a venda de bebidas e comida, até à troca de várias moedas da zona e ao preenchimento de formulários para pessoas e veículos passarem a fronteira. Conseguimos facilmente o visto na chegada, pagando 50 dólares americanos. Houve ainda algumas dificuldades em fazer passar os carros mas tudo se resolveu. Já do lado da Zâmbia, cumprimos os procedimentos habituais de trocar alguns dólares americanos pela moeda local (um dólar vale cerca de cinco mil kwachas zambianos), de comprar "sim cards" e "air time", que é o nome dado aos cartões e ao carregamento dos telemóveis.
A primeira equipa saiu após a habitual meia hora de inicialização do receptor mas, alguns minutos depois, foram mandados parar num posto de controlo e descobriram que tinham deixado os documentos no outro jipe. Tiveram assim de regressar ao ponto de partida. Excepto esse contratempo, as coisas correram com alguma normalidade. Seguimos assim em direcção a Mpika, onde iríamos passar a noite.

Hora de ponta

A região que percorremos nesse dia e no seguinte, até Lusaka, era ocupada principalmente por uma floresta de árvores de médio porte, por entre as quais se podiam ver aldeias compostas por pequenas casas primitivas mas relativamente bem arranjadas. Pelo que deu para perceber, já que a vegetação funciona quase como um muro em relação à estrada, os habitantes subsistem cultivando os terrenos na floresta, por entre essas árvores.

Chalé zambiano

Mpika é daquelas povoações que parece muito maior no mapa. Mesmo assim, lá conseguimos encontrar um sítio para dormir, com um regulamento bastante interessante.

Regulamento do motel onde dormimos

20 de Junho: uma súbita mudança de planos

Depois de reclamar dos serviços do motel, por não ter sido preparado o pequeno almoço à hora combinada na véspera, é que nos lembrámos da mudança de fuso horário entre a Tanzânia e a Zâmbia. O percalço acabou por se revelar produtivo, já que nos conseguimos despachar bastante mais cedo. Assim, foi o dia em que conseguimos percorrer a maior distância (para além dos 600km). A estrada é toda muito semelhante à percorrida no dia anterior. A maior diferença é a moldura de fenos altos que separam a estrada da zona de floresta.

Aspecto habitual da estrada na Zâmbia

Berma da estrada

Nesta altura, uma ideia que tinha sido posta de parte no início mas que entretanto começara a germinar no seio do grupo, de chegar ao Atlântico através da Namíbia, já é uma certeza. Tanto os nossos colegas Quenianos, como os responsáveis alemães pelo TanDEM-X tinham aceite essa sugestão. Resolvíamos assim a complicada travessia da zona fronteiriça entre Angola e a Zâmbia, fazendo um desvio para sul e aproveitando as boas estradas da Namíbia. No final, os elementos portugueses iriam apanhar um avião de Windhoek para Joanesburgo e daí para Portugal. Os companheiros quenianos fariam a viagem de regresso para Nairóbi com os jipes.

Percurso realizado, bastante diferente do planeado.

20 de Junho: rumo a Lusaka

Esta nossa nova rota iria levar-nos a Lusaka nesse dia e a Livingstone, no dia seguinte. A partir daí tomaríamos a direcção da fronteira com a Namíbia, seguindo depois através da estreita Faixa de Caprivi (Caprivi Strip), entre Angola e o Botswana.

Época de eleições

Após longos quilómetros de estrada sempre igual, desde Mpika, começamos a observar os primeiros sinais de que a capital está próxima. Avistamos também quintas bem ordenadas, com extensas culturas de regadio, bastante semelhantes às que se vêem pela europa fora.

Cultura de regadio

Quando entramos em Lusaka já está a anoitecer. Parece ser uma cidade bastante mais organizada que Nairóbi ou Dar Es Salaam. No entanto, tivemos de atravessar uma larga cintura de barracas para chegar ao centro urbano.

Entrada em Lusaka

Após várias voltas pela cidade, conseguimos encontrar um sítio para pernoitar mas foi bastante mais caro do que tínhamos pago até então e as condições não eram significativamente melhores.